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Carla Villar e as canções de Toninho Horta
October 14, 2008 03:07 AM PDT
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Carla Villar lança disco 'Pedra da Lua – Carla Villar canta Toninho Horta'

. Música - 13/10/2008 - Ailton Magioli - EM Cultura

À exceção de Nana Caymmi, que se tornou praticamente co-autora do clássico ao gravar Beijo partido em 1975 – coincidentemente no mesmo ano em que Milton Nascimento registrou a canção, com a participação do autor –, poucas intérpretes tiveram coragem de desvendar o cancioneiro de Toninho Horta com a profundidade que ele requer.

Foto: Capa do CD

Às vésperas de completar 60 anos (que serão comemorados em dezembro), o criador de harmonias “complicadas” ganha releitura digna da importância de sua obra com o lançamento, segunda-feira à noite, do disco Pedra da Lua – Carla Villar canta Toninho Horta. Nesse álbum solo, a belo-horizontina exibe o timbre agradável e o bom-gosto que sempre chamaram atenção do público.

Com o amadurecimento, Carla Villar começa a se firmar como uma das melhores intérpretes em atividade na capital. Não por acaso, acaba de ser premiada no Festival de Música de Belo Horizonte. “Além dos estudos, o fato de dar aulas de canto contribui para a gente estar sempre exercitando a voz”, explica ela, salientando que a masterização do disco, a cargo do guitarrista e engenheiro de som César Santos, foi propositalmente puxada para os anos 1970 – a sonoridade, mais quente, lembra a do vinil.

CONVIDADO

Com direito à participação de Toninho, que assina três arranjos do disco, e acompanhada de banda, Carla vai apresentar o repertório integral de Pedra da Lua, acrescido de Manoel, o Audaz, o maior sucesso do guitarrista. A Rede Minas de Televisão e a Inconfidência FM vão registrar tudo para a exibição de futuros especiais.

O show integra o Projeto Música Independente, da Fundação Clóvis Salgado. Gustavo Figueiredo (teclado), Kiko Mitre (baixo), César Santos (guitarra), Tattá Spalla (violão) e André “Limão” Queiroz (bateria) formam a banda da cantora. No palco do Ceschiatti, Carla Villar também vai receber o instrumentista Ces-4 e o cantor baiano Renato Rivas.

“A música de Toninho é difícil de tocar, de cantar e, às vezes, até de ser ouvida”, afirma ela. Por isso, tem de ser bem-feita, para não cair no risco de se tornar boba, observa. “Tanto as harmonias como as melodias são muito difíceis, mas infinitamente geniais”, acrescenta. Céu de Brasília, Durango Kid, Viver de amor, Aqui-Ó, Pecém e Estrela do meu céu são algumas das canções do show.

Com a primeira tiragem esgotada, Pedra da lua aguarda patrocínio para nova edição e para a turnê de lançamento. O projeto de captação já foi aprovado na Lei de Incentivo à Cultura.

CARLA VILLAR & BANDA

Teatro João Ceschiatti, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Segunda-feira, às 19h. R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

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Música no podcast: 'Pedra da Lua', de Toninho Horta e Cacaso.
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"O que Vale É o Nosso Amor" (Remix) - CD "um Branquinho e um violão"
May 24, 2008 03:51 AM PDT
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Heitor Branquinho

Show de Lançamento do CD "um Branquinho e um violão"

Local: Centro Cultural Milton Nascimento - Três Pontas - MG

Dia: 24 de maio de 2008

Hora: 21h

Ingressos à R$5,00 na Casa da Cultura

CD à venda no dia do show com preço promocional: R$10,00

http://www.heitorbranquinho.com.br/
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http://www.myspace.com/heitorbranquinho
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Heitor Branquinho, DJ Marcelinho da Lua e Milton Nascimento - O que Vale É o Nosso Amor - Remix
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Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro
May 24, 2008 12:59 AM PDT
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. Qui, 15 maio, 7h15 Belo Horizonte - O patrimônio cultural brasileiro ficou ainda mais rico e um 'bucadim' mais saboroso. O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais a partir do leite cru foi registrado hoje, 15 maio, como patrimônio cultural imaterial brasileiro, por aclamação, pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, administrado pela conselheira do Iphan, Angela Gutierrez. A anfitriã foi também a relatora do processo de registro desse que se tornou o 13º bem imaterial do Brasil, junto ao ofício das baianas do acarajé e o modo de fazer viola de cocho. "O queijo, este produto de origem milenar que os exploradores do ouro trouxeram para Minas é hoje uma das maiores expressões da chamada mineiridade", argumenta Angela Gutierrez em seu parecer. "Seja como alimento ou como manifestação cultural, está presente no cotidiano e no imaginário de todos os mineiros. Esse saber, do modo de produção queijeira, passado de pai para filho, de geração a geração, este conhecimento garantiu ao longo dos séculos a sustentabilidade das famílias, asim como representa também ajuda imprescindível à economia familiar". Luiz Fernando de Almeida, presidente do Iphan e do conselho, ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está "inserida na cultura do que é ser mineiro". Após a aprovação, a próxima etapa será a homologação pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. "Esse saber é muito importante para a valorização dos produtores. Desde a época da mineração na região, eles detêm esse saber que os identifica. É um patrimônio do Brasil", diz a historiadora Ana Lúcia de Abreu Gomes, 40, técnica de registro do órgão(Iphan). O pedido ao Iphan partiu de uma demanda dos próprios produtores artesanais, em 2001, quando foram obrigados a se enquadrarem na legislação sanitária. A exigência da pasteurização se confrontava com a tradição secular do queijo produzido com leite cru. Os produtores sempre argumentaram que a ausência dos chamados fermentos naturais alterava o sabor do produto. O movimento nasceu como resistência à propaganda de que o queijo artesanal faria mal à saúde e que sua produção deveria ser proibida. As associações se uniram numa luta contra a legislação restritiva e a favor da qualidade do produto. Na época, as associações de queijeiros e o governo mineiro chegaram a um acordo, adotando padrões sanitários tanto para a criação do rebanho quanto para a higiene de sua produção. Há um ano, os produtores aguardavam uma definição do instituto, cuja proposta foi publicada no Diário Oficial da União de 20 de abril de 2007. Segundo a historiadora Ana Lúcia Gomes, os produtores do queijo Minas alegam que a peculiaridade do processo começa com a qualidade do capim consumido pelo gado nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre que dá um gosto diferente ao produto. A temperatura, o coalho, o fermento e o "pingo" também são fatores que os produtores importantes para que o queijo seja considerado patrimônio imaterial. Ana Lúcia Gomes explica que depois que é feita a mistura, o queijeiro espera o líquido coagular para colocá-los em formas envolto em panos, ou não, dependendo da região. Em seguida vem o processo de prensa e cura. "É um processo teoricamente bem simples, mas é feito a partir do leite cru, por isso de modo artesanal", disse. O pingo, o soro que o queijo libera na primeira noite, é adicionado para manter as características originais do produto pois a substância contém elementos que identificam o relevo, o clima e a vegetação da região e por isso é considerado o DNA do queijo. É o "pingo" que dá identidade ao queijo, sabor, textura e cor que diferencia um do Serro de um da Canastra; um de Araxá de um do Alto Paranaíba/Cerrado -microrregiões tradicionais e demarcadas pela Emater-MG(Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural). No Serro, o queijo é menor, consumido mais fresco, tem maior acidez, coloração mais clara e consistência macia. Na Canastra, é maior e amarelado, além de ser consumido mais maturado. O do Alto Paranaíba/Cerrado e o de Araxá são parecidos com o da Canastra, porém mais suaves. O queijo Minas é produzido de forma artesanal desde a época da mineração, no Século XVIII, feito à base de leite cru e fermento natural. É uma herança da cultura colonial mineira, tradição de mais de 300 anos que agora passa a ser considerada patrimônio nacional. A técnica foi trazida das regiões serranas de Portugal, principalmente da Serra da Estrela. O mais antigo do Estado é o queijo da Canastra, fabricado há mais de 200 anos que guarda semelhanças com o queijo portugues da Serra da Estrela. O relevo das serras de Minas foi fundamental para a produção, já que a topografia não permitia aos exploradores da época a criação de gado para corte na região e também o comércio leiteiro. "O leite quando chegava nas planícies já chegava talhado. Então, o produtor da região sempre alega que a região convida a fazer queijo", disse a historiadora. A fabricação de queijo é uma tradição diária nas regiões produtoras. Apenas na sexta-feira da Semana Santa ele não é feito, quando o leite é distribuído na vizinhança e destinado ao doce de leite e às quitandas. Par perfeito em Romeu & Julieta e ingrediente indispensável do delicioso pão de queijo, o Minas corresponde a 50% da produção nacional, segundo a Associação Brasileira de Indústrias de Queijo (ABIQ). Frescal, Minas, do Serro e o da Canastra são os principais tipos fabricados no Estado. O produto é expressivo no PIB do agronegócio mineiro. Somente na região da Serra da Canastra, cerca de 1.100 produtores fazem, em média, 70 toneladas semanais, considerado o melhor para o preparo do pão-de-queijo. O Iphan inventariou as regiões da cidade histórica do Serro, a Serra da Canastra e Serra do Salitre, onde predominam fazendas que mantêm a tradição do artesanal queijo mineiro. O inventário identificou os principais produtores artesanais da região, reuniu acervo audiovisual e escrito sobre a prática e catalogou as etapas de fabricação daquele tipo de queijo feito com leite cru. A metodologia desenvolvida pelo Iphan para a identificação e catalogação desses bens imateriais é o Inventário Nacional de Referências Culturais – INRC. Com o INRC é possível documentar aspectos da vida social que podem ser considerados referências de identidade para um grupo ou uma comunidade. Ele reúne uma série de materiais multimídia que catalogam as práticas da cultura estudada. O INRC destaca a forma tradicional de se fazer queijo em quatro regiões do estado: Serro, no nordeste; Serra da Canastra, na região central; Salitre/Alto Parnaíba, ou Serra do Oeste; e Araxá, no Triângulo Mineiro. O objetivo do processo é, além de fazer o registro histórico desse modo de produção, fomentar a sua atividade e o seu desenvolvimento econômico. Para isso, irão se desenvolver políticas de promoção, como incentivo à pesquisa e à associatividade, além da criação de estratégias de divulgação. O pedido de registro imaterial foi entregue ao Iphan pela Secretaria de Cultura de Minas, em conjunto com a Associação de Amigos do Serro. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) já havia reconhecido, em 2002, a técnica de fabricação do queijo como patrimônio imaterial. A técnica do Iphan acredita que, embora não seja o objetivo principal, os produtores esperam agregar valor ao queijo Minas, de modo a transformá-lo em um produto exportável. De acordo com o Iphan, a partir do registro, o instituto irá apoiar a comunidade na elaboração de uma política de incentivo da tradicional prática. A expectativa é que as ações de salvaguarda da cultura queijeira envolvam projetos de educação patrimonial e qualificação profissional dos atores envolvidos. Conforme a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o Estado produz mais de 26 mil toneladas somente de queijo artesanal por ano. Fonte : Agência Brasil/Agência Estado/Iphan ... Foto: Queijo do Serro, na cidade de Sêrro, MG. Foto by Elmer Ferreira de Almeida. Queijos no Brasil. ... Video: o queijo, patrimônio cultural de Minas e do Brasil ... ...
“um Branquinho e um Violão”
May 10, 2008 12:07 PM PDT
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“um Branquinho e um Violão” é o mais novo trabalho do jovem mineiro de Três Pontas, Heitor Branquinho (24).

O título deste novo projeto é uma referência ao formato do show gravado ao vivo em sua cidade natal, no “Museu do Café”, no Hotel Fazenda Pedra Negra, acompanhado apenas por seu violão.

Neste trabalho interpreta 16 composições próprias – letras e músicas – que exploram temas como o amor em diversas situações, a amizade e o cotidiano. Conta com a participação especial do amigo e conterrâneo Milton Nascimento na canção “Amigo”, tocando sua tradicional sanfoninha de 8 baixos e em “O que Vale É o Nosso Amor”, em um belíssimo dueto vocal.

O CD trás ainda como faixa bônus, um remix drum`n`bass da música “O que Vale É o Nosso Amor”, produzido pelo DJ carioca Marcelinho da Lua.

Apresenta uma identidade própria, passeando por ritmos como o samba, choro, afoxé e balada, sonoridade que se encaixa bem na diversidade da música brasileira, além de harmonias e melodias influenciadas pelo som do “Clube da Esquina”. O lançamento será em 24 maio de 2008.


Heitor Branquinho
Show de Lançamento do CD "um Branquinho e um violão"
Local: Centro Cultural Milton Nascimento - Três Pontas - MG
Dia: 24 de maio de 2008
Hora: 21h
Ingressos à R$5,00 na Casa da Cultura
O CD estará à venda no dia do show com preço promocional: R$10,00
www.heitorbranquinho.com.br
http://www.myspace.com/heitorbranquinho
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Foto: Milton Lima - capa do CD
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'BARULHO DE TREM', de Milton Nascimento
March 16, 2008 04:07 AM PDT
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'BARULHO DE TREM'

Milton Nascimento

Banco de estação
Lugar de despedida e emoção
Comigo é diferente, apenas vim
Pra ver o movimento que tem
Barulho de trem,

Parte de um cá
Chegando um expresso, vem de lá
E para completar o original
Há sempre a despedida fatal
Abraço normal

Feliz de mim
Não venho despedir de ninguém
Feliz de mim
Sou livre desse tal vai e vem

Banco de estação,
Lugar de despedida e emoção
Comigo é diferente, apenas vim
Pra ver o movimento que tem
Barulho de trem, barulho de trem,
Barulho de trem
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CD 'Crooner', de Milton Nascimento, gravado com orquestra.
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Foto: Trem Maria Fumaça, de São João del Rey p/ Tiradentes, MG.
Site Estrada Real.

A 'Maria Fumaça' foi inaugurada por D. Pedro II, em 1881, e ainda funciona ligando as cidades - de Tiradentes à São João del-Rei. Circula regularmente às sextas, sábados, domingos e feriados.
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'Trenzinho Caipira', c/ Yuri Popoff, de Villa-Lobos
March 14, 2008 07:09 PM PDT
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'TRENZINHO CAIPIRA''
por Yuri Popoff



Lena Horta - flauta in G
Guta Menezes - harmônica
Marcos Suzano - percussão
Yuri Popoff - baixo pedulla fretless

Gravação de Yuri Popoff no CD 'Catopê'.
1992, Leblon Records.

Música incidente, no finalzinho: 'Ponta de Areia', de Milton Nascimento e Fernando Brant.
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*(orig.: 'O Trenzinho do Caipira' de Villa Lobos)
'O Trenzinho do Caipira' , de Villa Lobos, é uma magistral amostra de uso dos instrumentos de uma orquestra imitando o som de um trem.

É o último movimento da "Bachianas Brasileiras Nº 2", a "Tocata" - mais conhecida como "O Trenzinho do Caipira" - que ocupa a segunda posição em popularidade da obra de Heitor Villa Lobos.
Uma de suas obras mais características, demonstra um original colorido orquestral, presente em muitas das partituras do compositor. Aqui também fica evidente a forte impressão que lhe causou a música sertaneja, ouvida em suas viagens pelo interior do Brasil.

O ciclo de obras mais conhecido de Villa-Lobos é o das nove Bachianas Brasileiras, escritas entre 1930 e 1945, onde o compositor intencionou construir uma versão nacional dos Concertos de Brandemburgo, usando ritmos ou formas musicais de várias regiões do Brasil.
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'O Trenzinho do Caipira'
Heitor Villa Lobos


Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo mar
Cantando pela serra o luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar...
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Foto: Trem Maria Fumaça, de Tiradentes, site Instituto Estrada Real.
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'Maria, Maria' - Milton Nascimento e Fernando Brant
March 14, 2008 04:37 AM PDT
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'Maria, Maria'

Milton Nascimento e Fernando Brant

Maria, Maria é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz a fé nessa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida
Mas é preciso ter força...
Mas é preciso ter manha...
Ah-Eh / Ah-Eh-Ah-Ah-Eh...

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Esta é minha homenagem mineira ao Dia da Mulher - 08 março!

Beijos a todas as mulheres!

Maria Valéria.
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Foto: A "Boneca em Cerâmica", peça da artesã Isabel Mendes da Cunha, do Vale do Jequitinhonha (MG), que retrata uma mãe amamentando o filho, foi a peça vencedora do prêmio Unesco de Artesanato, na 7ª edição do prêmio Unesco de Artesanato para América Latina e Caribe. Foto by Fábio di Castro.

Cerâmica do Vale do Jequitinhonha http://www.artdbrasil.com.br/com_12.asp
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Música: 'Maria, Maria', de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Gravação do CD 'Clube da Esquina II'.
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'Maria, Maria', de Milton Nascimento. MULHER MINEIRA
March 14, 2008 01:32 AM PDT
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Recebi este texto via e-mail, de meu amigo Sérgio, um carioca que adora mineiras - para ele, elas são as melhores! Ele desconhecia a autoria do texto, mas, pesquisando na net, descobri que o o autor é mineirim tb, Eder Souza Ferreira de Sá. Valeu, Eder!

Adorei o texto, me diverti muito ao ler, e dedico às mulheres do Brasil, em especial às minhas conterrâneas, as mineiras!
Para escutar, postei 'Maria, Maria!', de Milton Nascimento - o Bituca. (para ouvir é só clicar na imagem do trem do podcast Podomatic)


MULHER MINEIRA

"Gostaria muito de poder encontrar palavras para poder dizer do orgulho que sinto de ser mineiro. Meus pais não poderiam me dar um presente melhor. Se existir uma outra vida, quero nascer mineiro de novo. Mas tem uma coisa melhor que eu gosto mais do que ser mineiro: é namorar as mineiras.

Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais. O jeito irresistível que a mineira tem para conversar no portão, sem encarar nos olhos e mexendo com os botões da nossa camisa é que nos conquista. Essa sabedoria não se aprende em nenhuma universidade.

Joaquim da Mata, o Velho Quincas, filósofo dos cafundós de Minas, quando compara o jeito de ser de uma mineira com o de outra mulher, afirma que a "deferença" está no preparo. O "caldinho" que envolve a mineira e dá a ela este jeitinho tão gostoso foi preparado em panela de ferro num fogão à lenha.

Mineira não mente, conta lorota. Não menstrua, fica úmida. Não paquera, espia. Não fica bonita, já nasce formosa. Mineira não curte um som, ouve música. Não fala, proseia. Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho de carne. Não faz crediário, compra fiado. Mineira não transa, faz amor. Não fica pelada, mostra as "vergonhas". Não erra, comete engano. Mineira não chupa cana, toma garapa na beira do engenho. Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo. Mineira não trai marido, escorrega na rua.

Mineira ama diferente. Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o que não precisou esclarecer com palavras. Ela sabe que amor não é para discursar, é pra fazer. Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os gestos. Mineira ama com o corpo inteiro e com toda a sofreguidão da alma.

Conheci muitos tipos de brasileiras. Faceiras, trigueiras, formosas, irresistíveis, loiras, morenas, mulatas, cafuzas, todas bonitas, mas só as mineiras têm essa brejeirice, essa paciência de construir sem pressa uma teia de aconchegos e mimos e lembranças e sorrisos, que nós das Gerais tanto apreciamos.

Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão diretamente ligadas ao lugar. Mineira faz doce como ninguém neste país. Quem já provou doce de cidra ou de leite feito por mineira, sabe o que é bom. Goiabada e marmelada, nem se fala. Queijo então é até pecado comparar.

Mineira estuda menos e ensina mais porque o que há de melhor ela já nasceu sabendo. Isso se deve à simplicidade das mineiras que se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras. Mineira se veste de chita e fica bonita, porque mineira não segue, mas faz moda. Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas. Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma um passe de candomblé e joga rosas vermelhas pra Iemanjá. Assim descobre caminhos que levam à Deus. Também faz política, porque sempre sabe
distinguir o certo do errado. Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira pronta pra lutar pelo Brasil.

Dizem mesmo nas Gerais que é a mulher quem ensina o homem a ficar rico. Mineira não é feminista: é feminina. Pra que lutar contra os homens, se todo o poder está mesmo em suas mãos? Mulher, quando casa com homem rico, vira madame. Mineira vira esposa."

Espero que tenham gostado tanto quanto eu, e, tem tudo a ver com o meu blog!

E como diz a letra da música folk: "QUEM TE CONHECE NÃO ESQUECE JAMAIS, OH MINAS GERAIS!!!"


Beijos,

Maria Valéria.
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Foto (acima): Dona Isabel (Isabel Mendes da Cunha) (1924) é certamente a mais famosa artesã que trabalha com barro no Vale do Jequitinhonha. Exerce o seu ofício, "mexe com o barro", possui um saber ancestral obtido de seus antepassados indígenas, cresceu vendo a mãe trabalhar no pequeno vilarejo de Santana do Araçuaí no Município de Ponto dos Volantes.
Cerâmica do Vale do Jequitinhonha http://www.artdbrasil.com.br/com_12.asp

Música: 'Maria, Maria', de Milton Nascimento.
É a versão do disco 'A Barca dos Amantes', ao vivo.
Com o Nico Assumpção no baixo... linda!
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Música: 'Minas Train', de Toninho Horta ...... O Verdadeiro Significado da palavra TREM!
March 07, 2008 12:55 PM PST
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Recebi este texto via e-mail. A autoria é desconhecida, no entanto, como é dedicado aos mineiros, quis postar aqui no meu blog, que é bem mineirim.

O Verdadeiro Significado da palavra TREM

Interessante que o assunto mineirês veio à tona logo no dia em que alguns transtornos foram causados pelo seu desconhecimento por parte de alguns jornalistas, que escreveram a seguinte manchete:

- "Trens batem de frente em Minas."

Os mineiros, obviamente, não deram a devida importância, já que para eles isto quer dizer apenas que duas coisas bateram. Poderia ter sido dois carros, um carro e uma moto, uma carroça e um carro de boi; ou até mesmo um choque entre uma mala de viagem e a mesa de jantar.

Movido pela curiosidade, resolvi então consultar o Aurélio. E vejam o que diz:

trem [Do fr. train.] S. m.

1. Conjunto de objetos que formam a bagagem de um viajante.

2. Comitiva, séqüito.

3. Mobiliário duma casa.

4. Conjunto de objetos apropriados para certos serviços...

5. Carruagem, sege.

6. Vestuário, traje, trajo.

7. Mar. G.Bras. Grupamento de navios auxiliares destinados aos serviços (reparos, abastecimento, etc.) de uma esquadra.

8. Bras. Comboio ferroviário; trem de ferro.

9. Bras. Bateria de cozinha.

10. Bras. MG C.O. Pop. Qualquer objeto ou coisa; coisa, negócio, treco, troço: "ensopando o arroz e abusando da pimenta, trem especial, apanhado ali mesmo, na horta." (Humberto Crispim Borges, Cacho de Tucum, p. 186).

11. Bras. MG S. Fam. Indivíduo sem préstimo, ou de mau caráter; traste.

12. Bras. MG Pop. Diz-se de pessoa ou coisa ruim, ordinária, imprestável; trenheiro: "É um sujeito muito trem" ;"São mulherzinhas muito trem."

(Bras.: é a abreviatura de Brasileirismo)

Vejam que o sentido de comboio ferroviário é apenas o 8º, e ainda é considerado um brasileirismo.

Comentei o fato com um amigo especialista em etimologia, que me esclareceu a questão: o comboio ferroviário recebeu o nome de trem justamente porque trazia, porque transportava, os trens das pessoas. Vale lembrar que nessa época o Brasil possuía uma malha ferroviária com relativa capilaridade e o transporte ferroviário era o mais importante. Assim, era natural que as pessoas fizessem essa associação.

Moral da estória:

O mineiro é, antes de tudo, um erudito.
Além de erudito, ainda é humilde e aceita que o pessoal dos outros estados tripudie da forma como usa a palavra trem.
Na verdade, acho que isso faz parte do "espírito cristão do mineiro".
Ele escuta as gozações e pensa: que sejam perdoados, pois não sabem o que dizem.

(autor desconhecido)

--> Fiz uma pesquisa rápida na net, e não encontrei o autor do texto original. Se alguém souber, favor avisar para eu poder dar os devidos créditos pra esse trem aí... Meu comentário sobre o post (baseado em vivência mineira e na busca que fiz na net):

1. A palavra vem de “terens”, que significa posses, bens.

“Juntou seus terens e partiu para a América.” (ou seja: as coisas que ele tinha, que possuía).

Como os mineiros falam depressa, terens virou “Trens”… e depois virou “trem”, claro… Pq o singular de trens é trem, né? Assim como o de pires é “pir”… como dizia uma copeira mineira que uma conhecida teve… um pir, dois pires… rs...

2. Em descrição de 'O Retirante', de 'Árias Sertânicas', o primeiro CD que Elomar gravou dedicado apenas às árias de suas óperas, em 1991:

..."Fala de um vaqueiro, pequenino fazendeiro lá na Vage dos Mêra, Lagoa dos Arirí, estado do Sertão, que empenha todos os seus parcos terens em um destes chamados bancos de desenvolvimento. Sol e seca e sol e nada do que plantou vingou. Portanto, não conseguiu pagar ao banco os juros, capital etc. ...
www.kuarup.com.br/br/cat_produto_cada.php?idioma=port&prod=49294303

3. ... "Mas, sem ter muito o que fazer saiu esse LO com uma foto que encontrei no meio de meus terens: estava solta, sem álbum e ela tem um grande siginificado" ...
www.coisasdedeus.com/?p=1596

... "Uns tantos Dvds e Cds e outros terens, ganhei tannnnnntoooo presente por lá, ... Apaixonada por Scrapbooking e outros terens de artes digitais."...
www.coisasdedeus.com/?m=200712&paged=4

4. ... "Eu me lembro do dia da mudança, eu fui com o meu pai num caminhão, com os últimos terens da gente, possivelmente no segundo ou terceiro caminhão, ..." ...
www.museudapessoa.net/MuseuVirtual/hmdepoente/depoimentoDepoente.do?action=ver&idDepoenteHome=84

5. Dicionario HostDime: terens

Dicionário: terens

Definição/Significado: s.m.pl. Bras. (NE) Móveis e demais objetos de uso caseiro; trens, trastes, tarecos.

6. No final do texto que postei acima, o autor opina:

..."O mineiro é, antes de tudo, um erudito. Além de erudito, ainda é humilde e aceita que o pessoal dos outros estados tripudie da forma como usa a palavra trem."...

Li um comentário sobre essa parte, com o qual concordo:

... / Ora veja, a forma como o mineiro usa a palavra trem só está no dicionário por ser um populismo mineiro... e não o contrário. Não é como se os mineiros utilizassem ela corretamente... e sim o contrário... os mineiros tanto insistiram em utilizá-la da forma errada que foi parar no dicionário como gíria popular mineira.

... 10. Bras. MG C.O. Pop. Qualquer objeto ou coisa; coisa, negócio, treco, troço: "ensopando o arroz e abusando da pimenta, trem especial, apanhado ali mesmo, na horta."...

E isto está tão claro na própria extração do dicionário Aurélio postada por quem escreveu o e-mail!

O Michaelis(dic.) traz, basicamente, os mesmos significados pro verbete. Mas apesar de ainda trazer o "Qualquer coisa ou objeto" como uma gíria mineira (sm pl Reg. Minas Gerais: Bagagens, coisas, objetos) ... não especifica o "Série de vagões puxada por uma locomotiva; composição ferroviária" como Brasileirismo.

O que na minha opinião faz mais sentido.. (na minha tb! -> Ma.Valéria)

Visto que o inglês também utiliza o Train (como o Alemão utiliza Trein, e o Francês, Train) no sentido de série de vagões puxados por locomotiva, e não acho que eles tenham adotado isto da língua portuguesa.

O dicionário Unabriged traduz Train como, entre outras coisas, "Railroads. a self-propelled, connected group of rolling stock." (Ferrovias: um grupo conectado de cargueiros que se movimentam por auto propulsão"). E posta como origem da palavra:

... [Origin: 1350–1400; (v.) late ME traynyn to pull or drag in the rear <>Michaelis Francês:

train / trainnm trem. aller son train seguir seu curso, continuar da mesma maneira. en train em forma, bem disposto. en train de em via de. mener grand train levar um vidão. train d'atterrissage trem de aterrissagem, trem de pouso. train de marchandises a) trem de carga. b) modo de funcionar, de evoluir (coisas). train de vie modo de vida.

Veja o mesmo significado. O que me leva a crer que por "Brasileirismo" o dicionário quer dizer que pegamos a palavra do francês e "aportuguesamos". Não criamos um novo significado para a palavra, e sim "traduzimos" uma palavra de outra língua, com base em sua sonoridade. O que torna a citação: "o comboio ferroviário recebeu o nome de trem justamente porque trazia, porque transportava, os trens das pessoas" uma provável besteira. Visto que ele tem o mesmo nome na França, nos EUA, Inglaterra e Alemanha (isto só dos que pesquisei, provavelmente o padrão se repete).

O que me assusta é a facilidade com a qual se pega uma fonte, distorce-se o que ela quis dizer sobre um determinado assunto e atravez dela se diz outra coisa, muito provavelmente uma inverdade. E como se passa isto adiante via e-mail e as pessoas dão sequencia no material sem sequer lê-lo com atenção, pois a mera leitura com atenção (e perceber que o dicionario deixa claro que a versão mineira do "trem" é uma gíria de Minas Gerais) já desmentiria a "moral da história" postada. / ...

Concordo! (Ma.Valéria)
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ÔÔHHH TREM BOM DEMAIS DA CONTA SÔ! rs...

Viva os mineiros, viva o mineirês, viva o trem, viva Minas Gerais!!
Porque Minas é Minas, e ponto final. Terra boa, de gente bonita e inteligente, uai...

Beijos a todos os mineiros que têm orgulho de serem mineiros!!

Maria Valéria
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